Revista Ação Games (1991)
Periódico multiplataforma pioneiro de videogames no Brasil ao longo de quatro gerações de consoles
Originada no final de 1990 a partir de três edições especiais da revista A Semana em Ação e lançada como publicação autônoma em São Paulo em maio de 1991 pela Editora Azul, a Ação Games circulou por 171 edições regulares até janeiro de 2002. O periódico documentou bibliotecas de consoles de 8 a 128 bits, listas de golpes de fliperama e colunas de leitores antes da internet banda larga doméstica.
Origem em A Semana em Ação e Neutralidade Editorial Multiplataforma
Na virada para a década de 1990, a rápida expansão comercial do Master System e do Mega Drive licenciados pela TecToy, somada à base instalada do Phantom System da Gradiente e de outros clones do padrão NES, formou no Brasil um amplo público consumidor carente de imprensa especializada em língua portuguesa. Para testar a receptividade das bancas no final de 1990, a Editora Azul — publicação sediada em São Paulo e ligada ao Grupo Abril — lançou três edições especiais dedicadas aos jogos eletrônicos sob o selo da revista de variedades A Semana em Ação. O esgotamento rápido das tiragens levou à estreia autônoma da Ação Games nº 1 em maio de 1991. Enquanto publicações concorrentes do início dos anos 1990 nasceram segmentadas por alinhamentos corporativos — com a SuperGame restrita aos aparelhos Sega e a GamePower dedicada às plataformas Nintendo —, a Ação Games adotou desde o primeiro número cobertura multiplataforma independente. Sua redação fotografava telas diretamente de monitores de tubo com filme cromo de 35 mm para avaliar simultaneamente lançamentos de Master System, NES, Mega Drive, Super NES, Game Boy, Game Gear, PC Engine e SNK Neo Geo.
Detonados para a Cultura de Locadoras, Listas de Fliperama e Acervo de 171 Edições
Ao longo da década de 1990, os custos de importação tornavam a compra de cartuchos originais de 16 e 32 bits restritiva para grande parte das famílias brasileiras, concentrando o hábito de jogo nas locadoras de bairro e casas de fliperama onde circulavam fitas japonesas e norte-americanas desprovidas de manuais traduzidos. A Ação Games atendeu diretamente a essa demanda prática ao reservar extensa paginação para roteiros passo a passo em português (detonados), catálogos de senhas, códigos hexadecimais de Game Genie e tabelas completas de comandos para franquias competitivas de arcade como Street Fighter II, Mortal Kombat, Fatal Fury e The King of Fighters. Seções de cartas dos leitores, classificados de troca de jogos e coberturas enviadas de feiras internacionais como Consumer Electronics Show (CES), Electronic Entertainment Expo (E3) e Tokyo Game Show conectaram o leitor brasileiro ao calendário mundial anos antes da popularização da internet residencial. Passando pelas gestões da Editora Azul, Editora Abril e Editora Símbolo e alternando periodicidade mensal e quinzenal no auge do PlayStation e do Nintendo 64, a revista encerrou sua linha regular na edição nº 171, em janeiro de 2002.