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Phantom System e Gradiente (1988)

Console de 8 bits compatível com o NES moldado no gabinete do Atari 7800 que originou a representação oficial da Nintendo no Brasil

Brazil · 1988 · hardware

Lançado no Brasil em 1988 pela fabricante de eletrônicos Gradiente durante as restrições de importação da Reserva de Mercado, o Phantom System foi um clone não licenciado de 8 bits do Nintendo Entertainment System (NES). Unindo placa PAL-M de 72 pinos, carcaça do Atari 7800 e controles inspirados no Mega Drive, liderou as vendas de clones no Brasil antes da fundação da Playtronic em 1993.

Phantom System e Gradiente (1988)

Engenharia na Reserva de Mercado, Moldes do Atari 7800 e Ergonomia Híbrida

No final da década de 1980, a legislação protecionista da Reserva de Mercado de Informática impedia a importação comercial direta de consoles estrangeiros de videogame, período em que a Nintendo não mantinha subsidiária ou distribuição oficial na América do Sul. Tradicional fabricante de equipamentos de áudio e eletrônica de consumo — que já havia atuado no setor com o Atari 2600 pela divisão Polyvox e com os microcomputadores MSX Expert —, a Gradiente adquiriu inicialmente moldes industriais de injeção plástica junto à Atari Corporation visando fabricar o console Atari 7800 no Brasil. Após estudos mercadológicos apontarem que a biblioteca de 8 bits da Nintendo apresentava tração comercial muito superior à linha Atari, o departamento de engenharia da Gradiente cancelou o projeto original e alojou uma placa-mãe compatível com o NES, obtida por engenharia reversa, diretamente no interior do gabinete preto fosco do Atari 7800. Lançado em 1988 como Phantom System, o aparelho adotou o conector norte-americano de 72 pinos, transcodificou o sinal de vídeo para o padrão brasileiro PAL-M de 60 Hz, incluiu saídas compostas RCA além de RF e substituiu os controles retangulares do NES por joysticks anatômicos inspirados no recém-lançado Mega Drive da Sega.

Liderança entre os Clones Brasileiros e a Criação da Playtronic em 1993

Em um mercado brasileiro disputado por diversos clones não licenciados de 60 e 72 pinos do NES — entre eles Dynavision II da Dynacom, Top Game da CCE, Hi-Top Game da Milmar e Bit System da Dismac —, o Phantom System conquistou a maior fatia de vendas ao apoiar-se na escala fabril da Gradiente na Zona Franca de Manaus, no crediário das grandes redes varejistas, na assistência técnica autorizada em todo o território brasileiro e em campanhas publicitárias televisivas. Pacotes posteriores acompanharam a pistola óptica Laser Gun e cartuchos produzidos localmente como Ghostbusters e Super Pitfall, sustentando concorrência direta frente ao Master System lançado sob licença oficial da Sega pela TecToy em 1989. Com o encerramento das barreiras da Reserva de Mercado no início dos anos 1990 e a movimentação da Nintendo para regularizar suas marcas na América Latina, a capilaridade industrial e comercial da Gradiente mostrou-se decisiva: em vez de recorrer a litígios judiciais prolongados, a Nintendo associou-se em março de 1993 à Gradiente e à fabricante de brinquedos Estrela para constituir a Playtronic Industrial Ltda., convertendo a empresa na produtora oficial das linhas NES e Super NES no Brasil.

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