Revista SuperGamePower (1994)
Periódico mensal brasileiro formado pela fusão de revistas Sega e Nintendo com crítica assinada por personagens ilustrados
Publicada em São Paulo pela Editora Nova Cultural a partir de abril de 1994, a SuperGamePower unificou a revista mensal dedicada à Sega SuperGame (1991) e a publicação voltada à Nintendo GamePower (1992) em um único título multiplataforma. Sob direção editorial de Mathew Shirts, popularizou avaliadores fictícios ilustrados como Marjorie Bros, Chefe e Baby Betinho nas gerações de 16 e 32 bits no Brasil.
Fusão entre SuperGame e GamePower sob Direção de Mathew Shirts
Durante a disputa de mercado dos consoles no início dos anos 1990 no Brasil, a Editora Nova Cultural mantinha em São Paulo duas revistas mensais separadas por bandeira corporativa: a SuperGame, lançada em 1991 com aproximação institucional da representante oficial da Sega, TecToy, e a GamePower, inaugurada em 1992 para cobrir o catálogo de Super NES, NES e Game Boy representado a partir de 1993 pela Playtronic. À medida que a base de aparelhos de 16 bits amadureceu e plataformas de 32 bits em CD-ROM como o 3DO romperam a polarização estrita entre Sega e Nintendo, sustentar duas redações paralelas duplicava custos gráficos e fotográficos. Em abril de 1994, sob comando editorial do jornalista norte-americano radicado em São Paulo Mathew Shirts e do editor Marcelo 'Kamikaze' Gonçalves, a Nova Cultural fundiu equipes e carteiras de leitores na edição nº 1 da SuperGamePower (conhecida pela sigla SGP). Inspirada no formato norte-americano da revista GamePro e nos painéis múltiplos de notas da imprensa japonesa, a redação atribuiu resenhas e dicas a personagens ilustrados em traço mangá — Marjorie Bros, O Chefe, Baby Betinho e Kamikaze — que representavam perfis distintos de preferência entre luta, RPG, esportes e ação.
Transição para os Consoles de 32/64 Bits, Edições Detonado e Cultura de Leitores
Ao longo da segunda metade da década de 1990, a SuperGamePower registrou a transição estrutural do público brasileiro dos cartuchos de 16 bits para os discos ópticos e gráficos poligonais tridimensionais da quinta geração — abrangendo Sony PlayStation, Sega Saturn, Nintendo 64 e placas aceleradoras para computadores Windows. Como RPGs japoneses extensos, a exemplo de Final Fantasy VII, Chrono Trigger e Breath of Fire III, chegavam às lojas e locadoras brasileiras sem tradução para o português, a SGP publicou cadernos especiais e suplementos seriados (SGP Especial e edições Detonado) que traduziam roteiros, menus de equipamento e estratégias de chefes na íntegra. Além das análises técnicas e encartes de códigos, as colunas de correspondência e cultura japonesa assinadas pela personagem Marjorie Bros estabeleceram diálogo direto com a recepção de animês exibidos na televisão aberta brasileira, especialmente na Rede Manchete. Rankings de recordes comprovados por fotografias enviadas pelo correio, galerias de desenhos de leitores e pesquisas anuais consolidaram a publicação nas bancas brasileiras até a retração da mídia impressa diante da internet banda larga em meados dos anos 2000, encerrando sua trajetória em 2006.