Série Gobliiins (1991)
Coreografia de quebra-cabeças point-and-click com múltiplos protagonistas da Coktel Vision por Pierre Gilhodes e Muriel Tramis
Criada em 1991 no estúdio francês Coktel Vision pelo ilustrador Pierre Gilhodes e pela designer Muriel Tramis, a série Gobliiins reformulou a aventura point-and-click em torno de quebra-cabeças visuais compactos resolvidos pela coordenação entre personagens com habilidades distintas. Abrangendo Gobliiins (1991), Gobliins 2 (1992), Goblins Quest 3 (1993) e continuações em 2009 e 2023, a grafia do título indica diretamente o número de goblins controláveis.
Origens na Coktel Vision, Estética de Quadrinhos e Divisão em Três Papéis
No início da década de 1990, o estúdio francês Coktel Vision — inicialmente capitalizado por softwares educacionais para computadores Thomson antes de expandir-se para aventuras históricas sob comando da engenheira martinicana Muriel Tramis — buscou um formato internacional de aventura acessível, distinto das barras de verbos da Lucasfilm Games e dos extensos labirintos punitivos da Sierra On-Line. Em parceria com o cartunista e animador Pierre Gilhodes, Tramis estruturou o título de estreia Gobliiins (grafado com três letras "i" em 1991) em vinte e dois cenários independentes de tela fixa, desenhados no traço expressivo das histórias em quadrinhos franco-belgas e sonorizados com murmúrios fonéticos cômicos que dispensavam extensas traduções no Atari ST, Amiga e MS-DOS. Na missão de curar o rei Angoulafre de uma maldição de vodu, o jogador alterna entre três protagonistas especializados que dividem uma única barra coletiva de energia: Oups (Dwayne), técnico capaz de carregar e aplicar um item por vez; Ignatius (Hooter), mago cujos feitiços alteram objetos do cenário; e Asgard (BoBo), guerreiro que escala cordas e golpeia obstáculos.
Evolução Ortográfica das Sequências, Sincronia Dupla e Retomadas Modernas
Cada capítulo seguinte ajustou sua arquitetura de jogo em correspondência direta com a quantidade de letras "i" no logotipo. Lançado em 1992, Gobliins 2: The Prince Buffoon (com dois "i") aboliu a barra compartilhada de vitalidade — eliminando estados irreversíveis de derrota — e colocou em cena dois heróis comandáveis simultaneamente: o metódico Fingus e o irreverente Winkle. Como o jogador podia acionar movimentos para ambos no mesmo instante, os enigmas converteram-se em rotinas de precisão temporal cômica nas quais um goblin distrai um guarda ou ativa uma alavanca na fração exata em que seu parceiro age do outro lado da tela. Após a compra da Coktel Vision pela Sierra On-Line, Goblins Quest 3 (com apenas um "i", 1993) acompanhou um único repórter goblin, Blount, cuja transformação periódica em lobisomem alterava suas capacidades físicas em cenários maiores com rolagem lateral e mascotes auxiliares. Dezesseis anos depois, Pierre Gilhodes dirigiu o retorno tridimensional Gobliiins 4 (2009), resgatando o trio clássico, e em 2023 lançou de forma independente Gobliiins 5 em animação bidimensional desenhada à mão.