Resident Evil 2 (1998)
A obra-prima em dois discos de Hideki Kamiya e Shinji Mikami no caos de Raccoon City
Resident Evil 2 (Biohazard 2 no Japão) é um jogo de survival horror dirigido em 1998 por Hideki Kamiya e produzido por Shinji Mikami na Capcom para o PlayStation. Reconstruído do zero após o descarte corajoso do protótipo 'Resident Evil 1.5' já 65% pronto, seu pesadelo em dois discos estrelado por Leon S. Kennedy e Claire Redfield em Raccoon City eternizou o sistema narrativo cruzado 'Zapping' de cenários A e B.
O descarte de 'Resident Evil 1.5' e o terror gótico da delegacia RPD
No início de 1997, o produtor Shinji Mikami e o estreante diretor Hideki Kamiya tomaram a difícil decisão de descartar 'Resident Evil 1.5' — uma sequência quase dois terços concluída estrelada pela motociclista Elza Walker numa delegacia moderna estéril — após o veterano roteirista Noboru Sugimura apontar a falta de atmosfera gótica e peso dramático. Refeito em menos de um ano ao longo de dois CD-ROMs, Resident Evil 2 lançou o policial novato Leon S. Kennedy e a universitária Claire Redfield pelas ruas em chamas de Raccoon City até a monumental sede do RPD, antigo museu de arte tomado por enigmas, Lickers nos tetos, as mutações do G-Vírus de William Birkin e o laboratório subterrâneo da Umbrella.
As quatro rotas do sistema 'Zapping', Mr. X e a perfeição do gênero
Sugimura e Kamiya estruturaram os dois discos numa engenhosa matriz de continuidade 'Zapping' A/B: concluir o Cenário A com Leon ou Claire liberava o Cenário B espelhado do parceiro — trazendo rotas alternativas, consequências diretas das armas recolhidas na primeira campanha, encontros cruzados com Ada Wong e Sherry Birkin e o implacável Tirano T-00 ('Mr. X') atravessando paredes rumo ao verdadeiro final no trem subterrâneo. Embalado pelo melancólico piano das salas seguras composto por Masami Ueda e pelos modos extras HUNK e Tofu, Resident Evil 2 quebrou recordes de estreia na América do Norte e tornou-se a referência máxima do survival horror cinematográfico.